Fim da escala 6×1: desafios para o varejo de Material de Construção

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Por Cassio Tucunduva – presidente Sistema Anamaco

A aprovação, pelo Senado Federal, da proposta que extingue a escala 6×1 e estabelece a escala 5×2 representa uma mudança importante nas relações de trabalho no Brasil.
A votação ocorreu nesta quarta-feira, 14 de outubro, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, nos dois turnos.

A proposta prevê dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e uma redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.

O texto prevê que, 60 dias após a promulgação, a jornada passe para 42 horas semanais, chegando a 40 horas após mais 12 meses. A implementação, portanto, será gradual, e ainda precisamos acompanhar a regulamentação e as condições previstas para sua aplicação.

Para o varejo de Material de Construção, essa mudança traz desafios que precisam ser considerados. Nosso setor depende de equipes presentes nas lojas, no atendimento aos clientes, na logística e nas entregas.

Muitas empresas já enfrentam dificuldades para contratar e manter profissionais. A redução da jornada, sem redução salarial, exigirá planejamento e poderá elevar os custos operacionais, especialmente para as empresas que precisarem contratar ou reorganizar suas equipes.

Também será necessário observar os possíveis reflexos na indústria, na produtividade e nos custos dos materiais. Esses impactos, porém, ainda precisam ser avaliados na prática.

Da mesma forma, o maior tempo livre poderá beneficiar os trabalhadores, ampliar o convívio familiar e abrir novas oportunidades de consumo, mas ainda não é possível afirmar qual será o efeito líquido para o comércio.Nosso papel, como Sistema Anamaco, é acompanhar essa transformação com responsabilidade, defendendo condições que conciliem a qualidade de vida dos trabalhadores com a sustentabilidade das empresas.

Nós, empresários, também aguardamos medidas que possam compensar o aumento dos custos operacionais decorrente das novas regras, como políticas de desoneração e iniciativas que estimulem o crescimento econômico, especialmente a redução das taxas de juros e a ampliação do acesso ao crédito. É fundamental que a transição considere não apenas as novas obrigações das empresas, mas também as condições necessárias para que continuem investindo, gerando empregos e contribuindo para o desenvolvimento do país.

O Brasil precisa avançar com diálogo, produtividade e segurança jurídica. Com planejamento, participação das entidades representativas e atenção às necessidades de trabalhadores e empresários, poderemos buscar caminhos que valorizem as pessoas e preservem a força do varejo de material de construção, um setor essencial para a economia e para o desenvolvimento do país.

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