O primeiro semestre de 2026 confirmou algo que temos acompanhado de perto na Anamaco: o varejo de material de construção segue resiliente, mas opera em um ambiente que exige muita atenção à gestão, às condições econômicas e às decisões que estão sendo tomadas no país.
Os dados mais recentes do Instituto de Pesquisas Anamaco mostram que 51% das lojas consideraram que o faturamento permaneceu estável em relação ao primeiro semestre de 2025. Para 29%, houve piora, enquanto 20% perceberam crescimento.
É um resultado que precisa ser analisado para além da média. Há diferenças importantes entre regiões, portes e perfis de lojas. O Sul, por exemplo, apresentou a maior proporção de avaliações positivas, enquanto Norte e Nordeste registraram os maiores índices de estabilidade.
Mas um dado, particularmente, merece nossa atenção: entre os lojistas que cresceram, o principal fator apontado foram as ações realizadas pelo próprio negócio. Promoções, diversificação de produtos, marketing, política de preços, vendas externas e desempenho da equipe comercial aparecem entre as iniciativas associadas aos melhores resultados.
Isso não significa ignorar o peso do ambiente externo. Pelo contrário. Entre aqueles que tiveram desempenho pior, o cenário econômico, as medidas políticas, os custos, os juros e o endividamento das famílias aparecem com força. No acumulado de janeiro a junho, o volume de vendas do varejo de material de construção recuou 0,8%, enquanto a receita nominal avançou 3,1%.
A mensagem que fica é clara: existem fatores sobre os quais o empresário não tem controle, mas existem outros sobre os quais ele pode e deve agir. Informação, eficiência, proximidade com o consumidor e capacidade de adaptação continuarão fazendo a diferença.
Escala 6×1: uma decisão dessa dimensão exige responsabilidade
É justamente por conhecermos de perto a realidade das lojas que a Anamaco também tem mantido uma atuação intensa em Brasília.
Nesta semana, avançou no Senado a proposta que trata do fim da escala 6×1 e da redução da jornada semanal. A matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e poderia ter seguido rapidamente ao plenário. Entretanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que a votação deverá ocorrer após as eleições de outubro, ainda neste ano.
Esse adiamento atende a um pleito que a Anamaco vem defendendo junto aos parlamentares.
O varejo de material de construção é formado, em grande parte, por pequenas e médias empresas. Mudanças na organização das jornadas podem significar necessidade de novas contratações, alterações de escala, aumento de custos e impactos diferentes conforme o porte e a região. A própria proposta em discussão prevê a redução da jornada máxima para 40 horas e dois dias de descanso semanais, o que demonstra a amplitude da transformação que está sendo debatida.
Precisamos de diálogo, estudos de impacto e segurança para empresas e trabalhadores. Após as eleições, continuaremos acompanhando essa pauta de perto e levando ao Congresso Nacional a realidade do nosso setor.
O Sistema Anamaco se fortalece também nos encontros regionais
Além da atuação institucional em Brasília, esta semana também foi marcada pela presença da Anamaco no Paraná.
Tive a oportunidade de participar, em Curitiba, da ExpoMatcon 2026 e do 16º Prêmio Profissionais do Ano, realizados pela Acomac Grande Curitiba e pelo Simaco PR.
Foi uma excelente oportunidade de encontrar lojistas, representantes da indústria e lideranças do nosso Sistema, além de acompanhar iniciativas que valorizam quem constrói diariamente o desenvolvimento do varejo de material de construção.
Parabenizo o presidente Ademilson Milani, a executiva Patricia Bernardi, os diretores da Acomac Grande Curitiba e do Simaco PR e toda a equipe envolvida na realização dos eventos. Registro também a satisfação de encontrar lideranças como o presidente da Fecomac PR, Adriano Lunardon, o presidente da Acomac Londrina, Marcelo Valenciano, além dos demais diretores e representantes das entidades presentes.
É essa combinação que deve orientar nosso trabalho: informação para entender o mercado, representatividade para defender o setor e presença para manter nosso Sistema cada vez mais próximo dos lojistas.
Temos um segundo semestre desafiador pela frente, mas também muitas oportunidades. A Anamaco continuará atuando em todas essas frentes, sempre com diálogo, responsabilidade e união.
Cassio Tucunduva
Presidente da Anamaco
