Encontro realizado em 20 de outubro contou com palestras e painel de debates sobre qualidade, conformidade e segurança dos materiais de construção.
Campinas recebeu nesta terça-feira, 20 de outubro, a primeira edição do Circuito Nacional da Qualidade Anamaco, iniciativa que busca conscientizar o setor sobre a qualidade dos materiais de construção e aproximar o tema da rotina do varejo.
Realizado em conjunto com a Acomac Campinas e a Acomac Jundiaí, o encontro integra uma mobilização que reúne o Sistema Anamaco, a Abramat, o Sinaprocim e dezenas de entidades ligadas ao Fórum pela Qualidade do Material de Construção.
A abertura foi conduzida por Julio Pereira, presidente executivo do Sistema Anamaco, e contou com a participação de Cassio Tucunduva, presidente do Sistema Anamaco, responsável pela abertura oficial do evento. A programação reuniu lojistas, representantes da indústria, entidades setoriais, autoridades, parceiros e profissionais para discutir a conformidade dos produtos, a segurança do consumidor, a responsabilidade no ponto de venda e a concorrência leal.
As apresentações abordaram ferramentas de identificação e consulta de materiais, programas de qualificação e os impactos da comercialização de produtos não conformes.
Soluções para identificação e consulta de produtos
A primeira palestra foi conduzida por Gustavo Tarallo, da GS1 Brasil, com o tema “Do Código de Barras à qualidade do produto: informação para uma escolha mais segura”. A apresentação destacou o papel da identificação dos produtos e da organização de dados para apoiar as decisões do varejo.
Entre as ferramentas apresentadas estão o Cadastro Nacional de Produtos (CNP), que reúne informações cadastradas pelos fabricantes, e o Verified by GS1, base global que permite consultar dados publicados pelos próprios donos das marcas.
O CNP conta com mais de 90 milhões de produtos identificados e reúne informações como descrição, marca, peso, classificação fiscal e normas técnicas declaradas. Já o Verified by GS1 permite a consulta de informações de produtos em uma base global com mais de 1 bilhão de registros.
Gustavo também apresentou o programa Conformidade para Todos, desenvolvido no âmbito da Estratégia Nacional de Infraestrutura da Qualidade (ENIQ), que reúne MDIC, Abramat, GS1 Brasil, ABNT, CNI e IPT. A iniciativa tem como meta alcançar mais de 500 mil produtos com normas técnicas declaradas na base da GS1 Brasil.
Outro destaque foi o uso de códigos bidimensionais, como o QR Code Padrão GS1, para conectar os produtos a dados sobre identificação, lote, validade e normas técnicas. Foram demonstradas aplicações para consulta de PSQs, gestão de estoque e pedidos pelo WhatsApp, automatização do cadastro em sistemas de gestão e integração de informações em catálogos digitais e projetos BIM.
As soluções apresentadas relacionam a identificação dos materiais à rastreabilidade e à integração entre sistemas utilizados por fabricantes, distribuidores e lojas.
Conformidade dos materiais e qualidade da habitação
Na sequência, Nilza Emy Yamasaki, Secretária Nacional da Habitação, abordou o tema “A conformidade e a qualidade dos materiais de construção para a habitação”, com foco no Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H).
Instituído pela Portaria nº 134, de 18 de dezembro de 1998, do Ministério do Planejamento e Orçamento, o programa tem como objetivo estimular a elevação dos patamares de qualidade e produtividade da construção civil, contribuindo para a execução de obras seguras e duráveis e para a ampliação do acesso à moradia digna.
A palestrante apresentou a estrutura do PBQP-H, organizada em três sistemas:
- SiAC: voltado à certificação dos sistemas de gestão da qualidade das construtoras;
- SiMaC: atua no combate à não conformidade de materiais, componentes e sistemas construtivos;
- SiNAT: trata da avaliação técnica de produtos e sistemas construtivos.
Nesse trabalho, os Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) contribuem para a qualificação de empresas e para a conscientização sobre a importância de produzir e comercializar materiais em conformidade com os requisitos técnicos.
A palestra destacou, ainda, a responsabilidade dos lojistas na comercialização dos materiais e na disseminação da cultura da qualidade, considerando seu papel na relação entre os produtos e os consumidores.
Material fora das normas pode comprometer a segurança das obras
A terceira palestra foi apresentada por Anderson Augusto de Oliveira, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinaprocim e Sinprocim e gerente de Programas Setoriais da Qualidade (PSQ). A conversa abordou os riscos relacionados aos materiais não conformes, a atuação dos PSQs e a responsabilidade dos participantes do setor.
Entre os exemplos apresentados estavam problemas envolvendo fios e cabos elétricos, tubos de infraestrutura, revestimentos, tintas imobiliárias, chapas de drywall, pisos laminados e argamassas colantes. As situações demonstradas ilustraram como falhas de qualidade podem provocar danos às obras, prejuízos financeiros e riscos à segurança dos usuários.
Anderson ressaltou que a qualidade não pode ser avaliada apenas pela aparência dos produtos. O atendimento às normas técnicas aplicáveis é um dos aspectos considerados na avaliação da conformidade, contribuindo para reduzir riscos e evitar problemas na utilização dos materiais.
A palestra abordou os PSQs como instrumentos de avaliação e acompanhamento da conformidade, integrados ao PBQP-H. Entre as características dos programas estão a organização setorial, a participação voluntária, a atuação de entidades técnicas, o uso de laboratórios acreditados pelo Inmetro e a realização de avaliações periódicas.
Os dados apresentados, referentes a abril de 2026, mostraram avanços nos índices de conformidade de diferentes setores após a atuação dos programas. Entre os exemplos estão argamassas, que passaram de 64% para 92%; drywall, de 33% para 86%; eletrodutos, de 28% para 93%; louças sanitárias, de 53% para 98%; e pisos laminados, de 58% para 99%.
Para os lojistas, Anderson destacou a importância de consultar os canais oficiais do SiMaC/PBQP-H para verificar a situação de fabricantes, marcas e produtos.
Painel de debates encerra programação da primeira edição
Após as apresentações, o encontro contou também com um painel de debates para aprofundar os assuntos discutidos durante a manhã. O espaço foi dedicado à troca de informações sobre qualidade, conformidade, responsabilidade e segurança em toda a cadeia de Material de Construção.
O encerramento desta primeira edição do Circuito marcou o início de uma agenda nacional que pretende ampliar a discussão sobre a qualidade dos produtos comercializados no setor e aproximar o tema das decisões cotidianas do varejo.
O Circuito Nacional da Qualidade Anamaco passará por outras 19 cidades brasileiras até novembro de 2027. A expectativa é alcançar mais de 10 mil lojistas presencialmente ao longo das etapas e impactar mais de 100 mil profissionais por meio das ações digitais do projeto.
A iniciativa do Sistema Anamaco busca levar informação a diferentes regiões do país, reunindo lojistas, entidades e fornecedores em torno da conformidade dos materiais, da segurança do consumidor e de relações comerciais mais confiáveis.
