Mesmo com um cenário de juros elevados e maior cautela do consumidor, observo que o comércio de material de construção inicia 2026 mostrando um traço que é marca do nosso setor: a capacidade de adaptação.
A manutenção da Selic em patamar alto mantém o crédito mais caro e exige mais planejamento de famílias e empresas, o que naturalmente desacelera parte do ritmo de obras e novos empreendimentos. Ainda assim, sigo convicto de que a construção civil e toda a sua cadeia permanecem como uma das principais engrenagens da economia brasileira, com impacto direto sobre emprego, renda e desenvolvimento urbano.
Vivemos um período que pede responsabilidade e estratégia. Mas também é um momento que abre espaço para reorganização, eficiência e fortalecimento do mercado. Se o ambiente de juros altos reduz a velocidade de grandes lançamentos, por outro lado ele fortalece uma tendência que vem ganhando protagonismo: a reforma, a manutenção e a melhoria habitacional.
Esse movimento favorece diretamente o varejo de material de construção, especialmente nas categorias de acabamento, hidráulica, elétrica, pintura e itens de reposição, produtos essenciais para o dia a dia das famílias e para a valorização do imóvel.
Tenho percebido também um consumidor cada vez mais atento, que busca soluções práticas, duráveis e com melhor custo-benefício. Isso impulsiona uma demanda mais qualificada e abre espaço para vendas consultivas, kits prontos, serviços agregados e estratégias de fidelização.
Cautela não é retração: é mudança de comportamento. O setor vive um ciclo em que o consumidor compara mais, planeja mais e compra com mais consciência. Isso não significa ausência de demanda, mas sim uma transição para um mercado onde ganham destaque:
- lojas com atendimento técnico e orientação,
- disponibilidade de estoque e entrega rápida,
- condições comerciais inteligentes,
- foco em relacionamento e recorrência.
Em outras palavras: quem estiver preparado para atender bem, vende – mesmo em cenário desafiador.
Outra frente importante para 2026 é o fortalecimento de linhas de crédito voltadas à melhoria habitacional, com potencial de estimular obras menores e pulverizadas, que movimentam o comércio local e regional. Esse tipo de iniciativa tem efeito rápido, porque ativa uma demanda ampla – e muitas vezes imediata – em bairros, pequenas cidades, condomínios e comércios.
Em um cenário de custos pressionados e mão de obra mais disputada, o setor também entra em 2026 com uma agenda clara: ganhar produtividade e eficiência.
A tendência é que se acelerem investimentos em:
- treinamento e capacitação de equipes,
- digitalização do atendimento,
- integração de canais (loja física, WhatsApp e entrega),
- melhoria de margem via mix e gestão de compras,
- parcerias com profissionais e aplicadores.
Um setor essencial, pronto para a retomada. Mesmo com a manutenção do ambiente desafiador, sigo acreditando que o comércio de material de construção permanece como um dos pilares da economia real – porque está diretamente ligado à vida cotidiana das pessoas: moradia, segurança, conforto, valorização patrimonial e manutenção das cidades.
O setor está se ajustando, sim.
Mas também está se preparando.
E quem se organiza agora estará na frente quando o ciclo virar.
Cassio Tucunduva
Presidente Sistema Anamaco
