O momento que o setor de material de construção vive exige mais do que posicionamentos rápidos. Exige responsabilidade, escuta ativa e, principalmente, qualificação do debate. Temas complexos, como as mudanças nas relações de trabalho, não podem ser tratados de forma simplista ou conduzidos por narrativas que desconsideram seus impactos reais.
Nesta semana, tivemos a oportunidade de participar de um encontro com lojistas, promovido pela Acomac DF, que trouxe à pauta a discussão sobre o fim da escala 6×1. Mais do que um debate, foi um momento importante de esclarecimento, em que conseguimos abordar o tema de forma técnica, analisando seus desdobramentos políticos e econômicos.
Contamos também com a presença do diretor executivo da UNECS, Pablo Gontijo, que contribuiu para ampliar a visão sobre os impactos dessa discussão no comércio e nos serviços.
Propostas como as PECs 221/2019 e 8/2025, que tratam da redução da jornada semanal, e a PEC 40/2025, que propõe maior flexibilização das relações de trabalho, trazem reflexões legítimas. No entanto, é preciso cuidado para que uma pauta dessa relevância não seja conduzida em um ambiente contaminado por interesses eleitorais. O risco de distorções é real e, muitas vezes, as consequências recaem diretamente sobre quem está na ponta: o lojista, o trabalhador e toda a cadeia produtiva.
Por isso, reforço: o debate precisa ser qualificado. É fundamental entender os impactos práticos de cada proposta, ouvir o setor e construir caminhos que sejam sustentáveis no longo prazo. O associativismo tem um papel central nesse processo, ao promover espaços de diálogo estruturado, aproximar diferentes visões e transformar preocupações em propostas concretas.
Esse movimento de aproximação com os lojistas, levando o debate para dentro das lojas, em diferentes regiões, é estratégico. É ali que as decisões ganham forma, onde os impactos são sentidos na prática e onde surgem contribuições fundamentais para a construção de soluções mais equilibradas.
Ao mesmo tempo, seguimos avançando no diálogo institucional em nível nacional. Em Brasília, durante agenda no Ministério das Cidades, nosso CEO, Julio João Pereira, esteve ao lado do ministro Jader Filho, no Prêmio Minha Casa Minha Vida. A proximidade e o diálogo aberto com o governo federal abriram espaço para apresentar o Sistema Anamaco, reforçar o papel do varejo de material de construção e contribuir com discussões relevantes, como o avanço do programa Reforma Casa Brasil.
Esse é o caminho que acreditamos: presença, responsabilidade e construção coletiva. O setor de material de construção é parte fundamental do desenvolvimento do país e precisa estar representado com seriedade, especialmente em momentos de debate sensível.
Mais do que reagir, é nosso papel contribuir para decisões melhores.
Cassio Tucunduva
Presidente do Sistema Anamaco
