Pesquisa mensal acompanha o desempenho das vendas no varejo de material de construção, as diferenças regionais e as expectativas dos lojistas para os próximos meses.
O Termômetro Anamaco de setembro de 2026 aponta uma mudança na percepção dos lojistas sobre o desempenho das vendas em relação a agosto. O percentual de estabelecimentos que registraram queda passou de 22% para 27%, enquanto a parcela dos que relataram crescimento caiu de 45% para 43%.
A estabilidade foi observada por 30% dos comerciantes entrevistados. Apesar da redução no percentual de lojas com aumento nas vendas, o número de estabelecimentos que registraram crescimento permaneceu superior ao daqueles que tiveram retração.
Como as vendas se comportaram em cada região
Os resultados de setembro variaram conforme a região do país. Em todas elas, o percentual de lojas que registraram crescimento nas vendas superou o das que apontaram queda. O Norte e o Nordeste apresentaram os maiores saldos positivos, considerando a diferença entre esses dois indicadores.
No Norte, 50% dos lojistas relataram aumento nas vendas, enquanto 13% registraram retração. No Nordeste, os percentuais foram de 48% e 18%, respectivamente.
Confira os resultados por região:
- Norte: 50% cresceram e 13% retraíram
- Nordeste: 48% cresceram e 18% retraíram
- Centro-Oeste: 46% cresceram e 24% retraíram
- Sul: 45% cresceram e 22% retraíram
- Sudeste: 38% cresceram e 34% retraíram
O Sudeste apresentou a menor diferença entre os resultados positivos e negativos, com saldo de quatro pontos percentuais. No Norte, a diferença chegou a 37 pontos percentuais, seguida pelo Nordeste, com 30 pontos.
Resultados variam conforme o porte das lojas
O desempenho das vendas em setembro também apresentou diferenças de acordo com o número de funcionários dos estabelecimentos.
Entre as lojas com 10 a 19 funcionários, 49% registraram crescimento nas vendas. Nas empresas com 20 a 49 funcionários, o percentual foi de 44%, enquanto, entre aquelas com 50 funcionários ou mais, chegou a 47%.
Nas lojas com cinco a nove funcionários, 35% relataram crescimento e a mesma proporção apontou queda nas vendas.
Já entre os estabelecimentos menores, com um a quatro funcionários, predominou a estabilidade, registrada por 47% dos entrevistados.
Sul registra o maior avanço na comparação com 2025
Na comparação com setembro de 2025, o percentual de lojistas que relataram aumento nas vendas cresceu em quatro das cinco regiões analisadas.
No Brasil, o indicador passou de 36% para 43%, uma alta de sete pontos percentuais. O maior avanço foi registrado no Sul, onde a parcela de lojas com crescimento passou de 33% para 45%, diferença de 12 pontos percentuais.
No Sudeste, o percentual aumentou de 31% para 38%. No Nordeste, passou de 44% para 48%, enquanto, no Norte, avançou de 49% para 50%.
O Centro-Oeste foi a única região com recuo na comparação anual. O indicador caiu de 49% para 46%, uma redução de três pontos percentuais.
Expectativa de crescimento chega a 73% entre os lojistas
Apesar das mudanças observadas no desempenho das vendas em setembro, as expectativas dos lojistas para o curto prazo apresentaram melhora.
Segundo a pesquisa, 73% dos comerciantes esperam aumento nas vendas nos próximos três meses, quatro pontos percentuais acima do registrado em agosto. Já 7% projetam queda no período.
O percentual de lojistas otimistas passou de 69% para 73%, enquanto a parcela dos que esperam retração permaneceu estável de um mês para o outro.
Revestimentos cerâmicos têm a maior expectativa de alta
Entre os segmentos analisados, as lojas especializadas em revestimentos cerâmicos apresentam a maior expectativa de crescimento para os próximos seis meses, com 77% dos lojistas projetando aumento nas vendas.
Em seguida, aparecem as lojas generalistas, com 76%, e as de material para pintura, com 75%.
Confira os resultados por segmento:
- Revestimentos cerâmicos: 77% esperam crescimento
- Generalistas: 76%
- Material para pintura: 75%
- Material básico: 73%
- Material hidráulico: 69%
- Material elétrico: 62%
O material elétrico apresenta o menor percentual de expectativa de crescimento entre os segmentos, mas ainda reúne 62% dos lojistas com projeções positivas. Em todas as categorias, a parcela que espera aumento nas vendas supera a dos que projetam queda.
Inflação, desemprego e endividamento
O Termômetro Anamaco acompanha indicadores econômicos que ajudam a compreender as condições de consumo e o desempenho do varejo de material de construção.
- Desemprego: A taxa de desocupação permaneceu em 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026, segundo dados do IBGE/PNAD.
- Endividamento: O percentual de famílias endividadas recuou de 82% para 81,7% em setembro, conforme a PEIC/CNC.
- Contas em atraso: Os percentuais de famílias com contas em atraso e daquelas sem condições de pagar permaneceram praticamente estáveis em relação a agosto.
- Inflação: O IPCA voltou a subir em setembro de 2026, chegando a 0,82%.
- Vendas do varejo: Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, o volume de vendas das lojas varejistas de material de construção recuou 1,2% no acumulado de janeiro a agosto de 2026. No mesmo período, a receita nominal cresceu 3%.
- Expectativas quanto às ações do governo: Em setembro, 40% dos lojistas demonstraram otimismo em relação às ações do governo nos próximos 12 meses, enquanto 30% se mostraram indiferentes e 31% pessimistas.
O Termômetro Anamaco de setembro de 2026 mostra que o aumento da parcela de lojas com queda nas vendas foi acompanhado pela redução do percentual de estabelecimentos que registraram crescimento em relação a agosto.
Ainda assim, os resultados positivos permaneceram predominantes em todas as regiões, e as expectativas dos lojistas para os próximos meses seguiram favoráveis.
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