Saldo favorável na percepção das vendas, diferenças relevantes entre lojas de diferentes portes e expectativas ainda positivas marcaram o primeiro semestre de 2026 no varejo de material de construção. O cenário é apresentado pelo levantamento consolidado do Termômetro Anamaco, que reúne os seis estudos realizados entre janeiro e junho com lojistas de todo o país.
Na média do período, 40,3% dos entrevistados relataram crescimento nas vendas em relação ao mês anterior, 41,3% apontaram estabilidade e 18% registraram retração. Em todos os meses, a parcela de lojas que percebeu aumento superou a que indicou queda.
Os resultados mostram um setor resiliente, mas ainda marcado por oscilações. O desempenho perdeu intensidade no segundo trimestre e variou de forma significativa conforme o porte das empresas, com percepções mais favoráveis entre as lojas maiores.
Os percentuais representam a percepção dos lojistas sobre a variação das vendas em relação ao mês anterior. Portanto, não correspondem a uma taxa de crescimento do faturamento do setor.
Lojas de maior porte registram desempenho mais positivo
Os dados do estudo mostram diferenças importantes conforme o porte das empresas. De forma geral, quanto maior a loja, maior foi o percentual de empresários que percebeu crescimento nas vendas ao longo do semestre.
Entre as empresas com 50 ou mais funcionários, 56,7% relataram aumento nas vendas. Já entre as lojas com até quatro funcionários, esse percentual foi de 27,7%.
Confira a média por porte:
- 50 ou mais funcionários: 56,7% perceberam crescimento;
- De 20 a 49 funcionários: 52,0%;
- De 10 a 19 funcionários: 41,3%;
- Até 4 funcionários: 27,7%;
- De 5 a 9 funcionários: 27,3%.
Os pequenos estabelecimentos concentraram os maiores índices de estabilidade nas vendas, enquanto as empresas de maior porte apresentaram saldos positivos significativamente superiores.
Norte lidera desempenho entre as regiões
Na análise regional, o Norte apresentou o melhor desempenho do primeiro semestre de 2026. A região registrou a maior proporção de lojistas que perceberam crescimento nas vendas, o menor percentual de retração e o maior saldo positivo entre todas as regiões brasileiras.
Confira os resultados médios por região:
- Norte: 46,2% cresceram e 13,2% retraíram;
- Nordeste: 44,7% cresceram e 15,0% retraíram;
- Sul: 41,0% cresceram e 16,0% retraíram;
- Centro-Oeste: 39,2% cresceram e 16,5% retraíram;
- Sudeste: 37,7% cresceram e 21,0% retraíram.
O levantamento também mostra que o Norte foi a região que apresentou a maior evolução em comparação com o primeiro semestre de 2025, reforçando o bom momento do mercado regional.
Expectativas permanecem positivas para os próximos meses
Mesmo diante da desaceleração observada no segundo trimestre, o otimismo dos lojistas permaneceu elevado ao longo do semestre.
Segundo a média dos seis levantamentos, 68,7% dos empresários acreditavam em crescimento das vendas nos três meses seguintes, enquanto apenas 7,8% projetavam retração.
Os relatórios de maio e junho, entretanto, indicam que os resultados efetivos ficaram abaixo das expectativas registradas anteriormente, sinalizando maior dificuldade de previsão para o mercado no segundo trimestre.
Cenário econômico apresenta fatores favoráveis e desafios
O estudo também acompanha indicadores econômicos que influenciam diretamente o desempenho do varejo de material de construção.
Entre os principais fatores observados no semestre estão:
- Inflação: o IPCA acumulou alta de 3,36% no primeiro semestre e 4,64% em 12 meses;
- Desemprego: a taxa de desocupação caiu para 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026;
- Endividamento: o percentual de famílias endividadas atingiu 81,6% em junho;
- Pesquisa Mensal do Comércio: entre janeiro e maio, o varejo de material de construção registrou queda de 1,0% no volume de vendas e crescimento nominal de 2,6%.
O levantamento ressalta que esses indicadores possuem metodologias diferentes e, por isso, não devem ser comparados diretamente aos resultados do Termômetro Anamaco.
Ao longo do primeiro semestre de 2026, o varejo de material de construção manteve saldo positivo na percepção dos lojistas, embora com desaceleração no segundo trimestre.
Os resultados também evidenciam diferenças importantes entre empresas de portes distintos e mantêm um cenário de expectativas favoráveis para os próximos meses, reforçando o acompanhamento contínuo do setor de materiais de construção realizado pelo Termômetro Anamaco.
Fontes: Termômetro Anamaco de janeiro a junho de 2026.
