Os debates realizados no primeiro dia da FEICON 2026 evidenciaram os principais desafios do setor da construção e reforçaram a qualidade como eixo central para o crescimento sustentável do mercado. Na tarde desta terça-feira, 7 de abril, lojistas, indústrias e lideranças setoriais participaram do seminário “Competitividade no Varejo da Construção: desafios e propostas”, promovido pelo Sistema Anamaco em parceria com a ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção).
Durante a abertura, o presidente do Sistema Anamaco, Cassio Tucunduva, destacou a importância da integração entre os diferentes elos da cadeia e da construção de uma agenda comum para o fortalecimento do setor. Segundo ele, há espaço para complementaridade entre indústria e varejo, especialmente diante do atual cenário econômico.
Qualidade como pilar do setor
Na sequência, o seminário avançou para um dos temas centrais do encontro: a qualidade do material de construção. O painel contou com a participação do presidente executivo da ABRAMAT, Paulo Engler, que trouxe reflexões sobre o papel estratégico da qualidade para o desenvolvimento sustentável do setor.
Foi destacado que o Brasil já apresenta um elevado nível de qualidade na produção de material, mas ainda enfrenta desafios na comunicação desse valor ao consumidor final — ponto em que o varejo tem papel fundamental, por estar diretamente conectado à decisão de compra.
Outro tema relevante foi o crescimento das vendas por meio de marketplaces. Os participantes alertaram que a ausência de regulamentação específica pode abrir espaço para a comercialização de produtos não conformes, gerando riscos à segurança do consumidor e à credibilidade do setor.
Nesse contexto, os Programas Setoriais da Qualidade (PSQs) foram apresentados como ferramentas essenciais para o mercado, reunindo testes, certificações e listas públicas de produtos conformes e não conformes. Foi reforçado que qualquer empresa pode aderir aos programas, contribuindo para elevar o padrão de qualidade do setor.
Os especialistas também destacaram a integração dos PSQs com o Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H), fortalecendo a estrutura de controle de qualidade no país. Entre os avanços apresentados, esteve o pré-lançamento do aplicativo dos PSQs, que deve facilitar o acesso às informações de conformidade, ampliando a transparência para todo o mercado.
Durante o painel, foram apresentados casos reais de produtos não conformes em segmentos como cerâmica, argamassa, tintas, fios e cabos, evidenciando impactos diretos para consumidores, lojistas e toda a cadeia produtiva.
Participaram também das discussões Rodrigo Nandi, coordenador do Comitê de Política Setorial de Qualidade do Sistema Anamaco; Luiz A. Martins Filho (ABCLS), líder do Fórum de Gerentes dos PSQs; e Anderson Augusto de Oliveira, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade do Sinaprocim.
Responsabilidade compartilhada
Encerrando este eixo, foi lançado o Programa Nacional de Conscientização para a Qualidade, iniciativa da Anamaco voltada à ampliação do conhecimento e da responsabilidade na comercialização de produtos.
Na sequência, o CEO do Sistema Anamaco, Julio Pereira, reforçou o compromisso da entidade com a pauta da qualidade e com a integração entre os diferentes elos da cadeia. Segundo ele, a qualidade não deve ser tratada como um diferencial competitivo, mas como uma responsabilidade compartilhada por todo o setor.
O executivo também destacou que a qualidade do material de construção está diretamente ligada à segurança, à durabilidade e à confiança do consumidor — sendo um fator essencial para a valorização do mercado como um todo.
Programas habitacionais e acesso ao crédito
O segundo painel abordou os programas habitacionais e seus impactos no setor, com foco no programa Reforma Casa Brasil. A gerente nacional de habitação da Caixa Econômica Federal, Andressa Schilahta de Magalhães, apresentou os objetivos e resultados da iniciativa.
Durante a discussão, foi destacada por lojistas participantes a necessidade de aprimoramentos para ampliar o alcance do programa junto ao consumidor. Cassio Tucunduva chamou atenção para os desafios relacionados ao acesso ao crédito, ressaltando que o nível de endividamento da população impacta diretamente a adesão às iniciativas habitacionais.
Também foi enfatizada a importância de condições mais atrativas, como juros reduzidos e mecanismos que garantam a aplicação dos recursos na compra de material de construção.
Reforma Tributária e o futuro do setor
Encerrando a programação, o terceiro painel tratou dos impactos da Reforma Tributária no setor de material de construção. O especialista Sergio Domingues apresentou uma análise dos possíveis ef
eitos nas operações do varejo e da indústria.
Segundo o consultor, as mudanças exigirão adaptação das empresas não apenas no âmbito fiscal, mas também na gestão, logística e estratégia de negócios. Ao mesmo tempo, destacou que o novo cenário também representa uma oportunidade para o setor, incentivando uma atuação mais estratégica por parte dos lojistas.
Por fim, reforçou a importância da conformidade como pilar para a sustentabilidade do mercado, alertando que empresas desalinhadas às normas tendem a enfrentar dificuldades — além da necessidade de educar o consumidor sobre a importância de adquirir produtos certificados.