Por Luiz Augusto Gonçalves Barbosa – Presidente Acomac SP
O varejo de material de construção enfrenta, há anos, uma série de desafios relacionados à operação diária das lojas, aumento de custos, dificuldade de contratação e pressão sobre a produtividade. No entanto, existe um ponto que precisa ser debatido com mais profundidade pelo nosso setor: a necessidade de participação ativa dos empresários nas pautas que impactam diretamente o comércio brasileiro.
Hoje, projetos discutidos no Congresso Nacional e na Câmara dos Deputados possuem potencial de alterar profundamente a realidade das empresas. Um dos exemplos mais recentes é o debate sobre o fim da escala 6×1 e as propostas de mudanças nas jornadas de trabalho.
Independentemente das opiniões favoráveis ou contrárias, existe uma preocupação legítima do setor empresarial: qual será o impacto prático dessas mudanças para quem emprega, gera renda e mantém a economia funcionando diariamente?
No segmento de material de construção, os reflexos já começam a preocupar empresários de todos os portes. E isso ocorre em um momento especialmente delicado, marcado por uma enorme dificuldade de contratação de mão de obra.
Atualmente, o varejo enfrenta obstáculos para encontrar vendedores qualificados, operadores, estoquistas, profissionais administrativos e até mão de obra ligada diretamente à construção civil, como pedreiros e mestres de obra. A escassez de profissionais preparados é uma realidade em praticamente todas as regiões do país.
Além disso, muitas empresas já operam com modelos flexíveis de jornada, adaptações de escalas, folgas alternadas e reorganizações internas para conseguir manter produtividade e atender às necessidades dos colaboradores. Na prática, a realidade atual das relações de trabalho já está muito distante do modelo tradicional que muitas vezes é retratado nos debates públicos.
Por isso, qualquer mudança estrutural precisa ser amplamente discutida, estudada e construída com responsabilidade. Não se trata apenas de uma discussão ideológica ou política. Trata-se de compreender os impactos econômicos, operacionais e sociais que decisões dessa magnitude podem gerar para milhares de empresas e empregos.
Caso medidas sejam implementadas sem planejamento adequado, muitos empresários poderão enfrentar a necessidade de ampliar equipes em um mercado que já sofre com falta de mão de obra. E isso inevitavelmente gera aumento de custos operacionais, dificuldade de escala e novos desafios para a sustentabilidade das empresas.
O ponto central é que o setor precisa participar mais dessas discussões. Muitos empresários ainda acompanham esses debates à distância, como se fossem temas restritos ao ambiente político. Mas não são. Essas decisões impactam diretamente o caixa das empresas, os empregos, a competitividade e o futuro do varejo. Por isso, é fundamental fortalecer a representação institucional do nosso segmento.
Precisamos de entidades fortes, alinhadas e presentes nas discussões nacionais. Precisamos de representantes comprometidos com as pautas do comércio de material de construção. Precisamos ampliar a participação nas frentes parlamentares e construir diálogo constante com deputados, senadores e lideranças políticas.
Nenhum segmento consegue defender suas necessidades isoladamente. É necessário união. É necessário que empresários, associações, federações e entidades trabalhem em conjunto, falando a mesma linguagem, defendendo as mesmas prioridades e apresentando propostas consistentes para o país.
É justamente com esse objetivo que o Sistema Anamaco promove, nesta quinta-feira, o webinar “O Impacto da Escala 6×1 no Varejo de Material de Construção: Produtividade, Mão de Obra e Desafios Institucionais”, reunindo lideranças nacionais, representantes institucionais e empresários do setor para uma discussão técnica e estratégica sobre os impactos dessa pauta para o varejo.
Tenho a honra de participar desse debate ao lado de importantes lideranças do setor produtivo, em um momento em que precisamos ampliar a conscientização e o envolvimento das Acomacs, Fecomacs e lojistas de material de construção de todo o Brasil.
Mais do que discutir uma proposta específica, precisamos fortalecer a cultura de participação institucional dentro do nosso segmento. O varejo de material de construção precisa ocupar os espaços de debate, contribuir tecnicamente e defender seus interesses de maneira organizada e responsável.
O futuro do nosso setor também depende da nossa capacidade de união, representação e mobilização.
Acompanhem, participem e tragam suas contribuições para essa discussão tão importante para o presente e o futuro do varejo brasileiro.
Participe desse debate importante:
📅 14 de maio
⏰ 18h às 20h
💻 Link de acesso: https://meet.google.com/gjo-wejy-uuo0110020
